‘Não preocupa o presidente’, diz advogada sobre migração do fundo partidário para o Aliança pelo Brasil

Em entrevista ao programa ‘Os Pingos nos Is’, Karina Kufa afirmou ainda que o novo partido de Jair Bolsonaro já deverá ter candidatos às eleições de 2020

  • Por Jovem Pan
  • 15/11/2019 19h26
ReproduçãoA advogada Karina Kufa deu entrevista ao programa 'Os Pingos nos Is' nesta sexta-feira (15)

A advogada Karina Kufa afirmou, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, nesta sexta-feira (15), que o presidente Jair Bolsonaro não está preocupado com a migração do fundo partidário do PSL para seu novo partido, o Aliança pelo Brasil.

“Não é uma situação que preocupa o presidente e os deputados [que irão para o novo partido]”, garantiu Kufa. “Eles querem ir para um partido em que possam ter uma segurança e construir as ideias, um partido verdadeiramente de direita, sem aquelas declarações polêmicas que você fica sem entender a ideologia do partido”, explicou.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente da República, afirmou nesta terça-feira (12) que os parlamentares que trocarem o PSL pelo Aliança pelo Brasil deveriam poder levar sua cota do fundo partidário para o novo partido, algo que ele definiu como “questão de justiça”.

Para Karina Kufa, no entanto, há outras formas do novo partido se manter sem utilizar recursos públicos. “É possível administrar um partido com recursos privados”, afirmou. Entre as possibilidades de arrecadar dinheiro, ela citou a venda de produtos ligados à sigla, vaquinhas, doações espontâneas e até uma mensalidade para filiados.

Apesar de ser contra o fundo partidário, Kufa admitiu que o novo partido de Bolsonaro deverá usar os recursos. “Se o partido se recusa a usar esses recursos, fica abaixo da disputa”, explicou. Para ela, é necessária uma mudança na legislação que acabe com o fundo. “É um absurdo a quantia de recursos despendidos nas campanhas eleitorais”, lamentou. “Quantos bilhões a gente vai alcançar de uso do dinheiro público para partido em campanha eleitoral? Se fosse um país rico, em que sobrasse dinheiro, mas não é o caso. Por que não deixar esse recurso público para o desenvolvimento de questões sociais?”, questionou.

Na próxima quinta-feira (21), o partido realizará sua primeira convenção, em Brasília, onde irá definir o estatuto e outras diretrizes. “Pretendemos no primeiro dia já ter compliance e buscar regras interna de democratização, controle e transparência”, disse Kufa. Ela acredita que o partido já lançará candidatos para as eleições municipais de 2020.