USP produzirá 1 milhão de máscaras para hospitais

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2020 11h28 - Atualizado em 08/04/2020 08h53
EFE/EPA/Government of Sao Paulo Independente do tecido, o professor defende o uso de máscaras pela população e ressaltar a importância de pensar também no modelo utilizado

Com o avanço da pandemia da covid-19 pelo mundo, entidades e órgãos de saúde estão ampliando as recomendações do uso de máscaras para a população, independentemente do contágio ou não pela doença. Entretanto, com a limitação de acesso ao item de proteção, opções caseiras, feitas até mesmo de algodão, estão sendo recomendadas.

Pensando nisso, a Universidade de São Paulo (USP) lançou o projeto “Respire” que pretende fazer os itens de proteção em larga escala. Em entrevista ao Jornal da Manhã – 2ª Edição, o professor da Escola Politécnica (Poli) da universidade, Vanderley John, explicou a proposta da universidade e os pontos de atenção para a fabricação caseira das máscaras.

Segundo Vanderley, a USP já iniciou a produção das máscaras cirúrgicas na segunda-feira (6). A iniciativa quer produzir cerca de 1 milhão de unidades do item de proteção, usado no combate ao coronavírus, que será utilizado pelos profissionais de hospitais da universidade.

Entretanto, o professor explicou que também estão enfrentando dificuldades para fazer a aquisição dos materiais necessários e ressaltou a alta de valores destes produtos.

“Além do tecido, tem também o elástico que está em falta. Para a produção das máscaras, o elástico custou mais caro que o tecido que será usado. Como está em falta, tivemos que usar um mais sofisticado, sem necessidade.”

De acordo com Vanderley, professores da USP iniciaram estudos para analisar possíveis outras opções de materiais que podem ser utilizados. A estimativa é que a análise seja concluída até o final desta semana e que seja disponibilizada também para a população, auxiliando aqueles que desejam produzir suas máscaras em casa.

“Montamos uma cadeia de produção, começamos a testar materiais que poderiam ser usados e testando máscaras que são referências de qualidade. Os médicos necessitam de uma proteção mais elevada, pois estão em contato com contaminados, mas outras pessoas podem usar máscaras de outros materiais porque também protege.”

Vanderley explicou que, previamente, os estudos já mostraram que existem diferentes qualidade de materiais sendo vendidos. O TNT, por exemplo, que é um dos materiais utilizados na produção de máscaras caseiras, possui diferentes qualidades, existindo um mais recomendado para produtos hospitalares, que está em falta.

“Estamos tentando montar um método que possa ser realizado em casa para separar um TNT bom de um ruim. Falta esse material de boa qualidade para as máscaras, dificilmente a população até acesso ao produto. Por isso, estamos testando tecidos não convencionais que podem ainda sim aumentar a proteção dos usuários.”

Independente do tecido, o professor defende o uso de máscaras pela população e ressaltar a importância de pensar também no modelo utilizado, que deve ser adequado ao rosto do paciente.

“Posso fazer mais de uma camada, pegar um tecido de algodão e ir testando a respirabilidade. A máscara tem que estar acomodadas, tão importante quanto o tecido é a adequação da máscara, o quanto protege a sua boca.”