Inadimplência diminui, mas 61 milhões de brasileiros ainda têm contas atrasadas

  • Por Jovem Pan
  • 17/01/2020 08h39
Agência BrasilDepois de diminuir 0,3% em novembro, o primeiro recuo em mais de dois anos, a inadimplência caiu pelo segundo mês consecutivo em dezembro

O aperto no bolso dos brasileiros está menor. Depois de diminuir 0,3% em novembro, o primeiro recuo em mais de dois anos, a inadimplência caiu pelo segundo mês consecutivo em dezembro.

De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e o Serviço de Proteção ao Crédito, a inadimplência encerrou 2019 com ligeira queda de 0,2%.

Apesar do recuo, a estimativa é que 61 milhões de brasileiros tenham começado 2020 com alguma conta em atraso e com o CPF restrito para contratar crédito ou fazer compras parceladas.

A consultora Giovana Siqueira é uma dessas pessoas. Para ela, janeiro é um dos meses mais difíceis de se equilibrar financeiramente.

“Por causa do final das festas de fim de ano e como vou começar minha faculdade, está muita coisa. Pagar dívidas do ano passado.”

Mas ela garante que já sabe o que fazer para tentar driblar as dívidas. “Todo mês eu guardo dinheiro na conta da minha mãe para não poder gastar”

Apesar do número ainda alto de inadimplentes, a pesquisa aponta que a maioria dos brasileiros não têm valores grandes de contas em atraso: 52,8% das pessoas tem dívidas de até R$ 1000 para quitar.

Em dezembro, o recuo mais expressivo da inadimplência aconteceu nas dívidas com o setor de comunicação, que englobam contas de telefonia, internet e TV por assinatura: redução de 16,4%.

Em seguida, foram as dívidas bancárias, de cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e financiamentos as que mais caíram, cerca de 1,9%.

As pendências básicas, como contas de água e luz, no entanto, subiram 2,1%.

Na avaliação de Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, fatores pontuais, como a liberação dos saques do FGTS, influenciaram diretamente na redução de dívidas.

“Os fatores que levaram a queda da inadimplência tem a ver com fatores pontuais, como a liberação do FGTS, a injeção de dinheiro na economia e os feirões realizados tanto pelos birôs de crédito quanto pelos bancos.”

Para a economista, a inadimplência deve ficar mais bem-comportada neste ano, acompanhando o cenário de recuperação da economia.

Na comparação com 2018, os números de 2019 são animadores: foram dois milhões a menos de brasileiros endividados.

*Com informações da repórter Beatriz Manfredini