Com ramificações no Brasil, Angola Leaks ameaça poderio de mulher mais rica da África

  • Por Jovem Pan
  • 21/01/2020 07h04
ReproduçãoA empresária é filha mais velha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos e conhecida como “a mulher mais rica da África”

A família Santos, que há décadas controla a Angola, pode ter que desistir da política após o vazamento do mais novo escândalo de corrupção de relevância mundial, o chamado Angola Leaks.

A empresária Isabel dos Santos — filha mais velha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos e conhecida como “a mulher mais rica da África” — e o marido dela, o congolês Sindika Dokolo, são alvos das informações divulgadas pelo Consórcio Internacional dos Jornalistas de Investigação a partir da análise de 715 mil arquivos.

Os documentos detalham o funcionamento interno de cerca de 400 empresas e filiais, criadas desde 1992 e espalhadas por 41 países, nos quais o casal têm negócios.

Foram transferidos de Luxemburgo para Portugal milhões de euros em dinheiro líquido e circularam da Suíça para a França outros milhões em diamantes, sem que qualquer questionamento mais aprofundado fosse feito sobre as transações.

A fortuna de Isabel é estimada em mais de US$ 3 bilhões, graças à atuação em diversos setores como: energia, telecomunicações, bancos, varejo e imprensa.

Na avaliação de alguns parlamentares angolanos, como é o caso Sediangani Mbimbi, do partido progressista, o escândalo vai interferir nos planos da família Santos de retomar a presidência do país.

Para o cientista político Jao Lusevikueno, Isabel dos Santos tem a popularidade necessária para ser eleita — mas o escândalo revelado pelo Angola Leaks pode custar caro. “A grande questão é se realmente ela tem popularidade para que as pessoas votem nela. Não me parece que ela tem capital político.”

A situação da família Santos mudou completamente a partir de 27 de setembro de 2017, quando — após 38 anos — o pai de Isabel perdeu o cargo de presidente do país. Desde então, o clã vem acumulando contratempos administrativos e judiciais.

Outros ainda virão, já que diversas reportagens ainda são aguardadas, com outros detalhes contidos nos documentos obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

*Com informações do repórter Antônio Maldonado