Vera: Desaceleração nas reformas auxilia a chegada do dólar a R$ 4,20

  • Por Jovem Pan
  • 19/11/2019 08h48
Agência BrasilBrasil não tem tido sucesso em atrair investimentos de curto, médio e longo prazo.

A alta do dólar, que alcançou, nesta segunda-feira (18), o maior valor da história – cotado a R$ 4,20 -, tem influência de fatores internos e externos. No exterior, há toda uma circunstância entre a China e os Estados Unidos, por exemplo. Por aqui, há o fato de essa ser uma semana curta, por conta do feriado, mas também existe a questão sobre a confiança no Brasil e a nossa capacidade de gerar empregos, crescimento e investimentos, principalmente.

O país não tem tido sucesso em atrair investimentos de curto, médio e longo prazo. Os leilões do excedente do pré-sal, por exemplo, foram um fracasso perto do que se esperava, um banho de água fria para o mercado. E, agora, o freio que o presidente Jair Bolsonaro está dando nas reformas também foi lido pelo mercado como outro sinal de insegurança, de pouca confiabilidade na nossa capacidade de realizar reformas quenos coloquem nos trilhos do crescimento em definitivo.

Economistas-chefes de banco disseram que o Brasil vinha em um movimento bom de reformas, com a reforma da Previdência aprovada e o encaminhamento do pacote fiscal e do novo pacto federativo para o Congresso Nacional. Tudo parecia se encaminhar para uma nova onda de reformas quando Bolsonaro mandou Paulo Guedes sustar o envio da reforma administrativa, considerada uma das mais importantes no enfrentamento dos gastos públicos na criação de um ambiente fiscal futuro de razoabilidade e de segurança.

Então esse sinal dado por Bolsonaro, auxiliado pelo fato de que o país, desde a soltura do ex-presidente Lula, vive um novo período de exacerbação da polarização política, sem que o presidente atual tenha uma base confiável no Congresso, é uma razão para os investidores tirarem o acelerador do Brasil, deixando de ver o país como um destino para investimentos, que estão cada vez acontecendo em menor escala no mundo.