Vera: Com soltura de Lula, polarização voltou para ficar

  • Por Jovem Pan
  • 11/11/2019 08h06
REUTERS/Amanda PerobelliEx-presidente fez discurso agressivo no Sindicato dos Metalúrgicos

O Congresso Nacional começa, nesta segunda-feira (11), uma corrida para iniciar a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado Federal, de PECs que preveem, na Constituição, a prisão após condenação em segunda instância. Em ambos os casos, os trabalhos podem ser tumultuados, já que a oposição se coloca contra a proposta e acusa parlamentares de fazerem casuísmo com a PEC, devido à soltura do ex-presidente Lula.

“O fim de semana foi ainda marcado pelas consequências dessa decisão do Supremo. Na sexta-feira (8), deixaram a prisão o ex-presidente Lula e o ex-ministro José Dirceu – fizeram até uma foto de mãos dadas -, Dirceu falou em retomar o poder. O acirramento político se seguiu a partir disso, defensores de Lula e pessoas contra ele.

No sábado, ele fez um pronunciamento na frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em tom bastante radical, bastante agressivo, dizendo que é hora de atacar e fazer, daqui, uma situação como a do Chile. Jair Bolsonaro, a princípio, evitou polarizar com ele, mas ontem já o citava nominalmente no Twitter, em um sinal de que a polarização voltou para ficar nos moldes do que havia nas eleições 2018 – e ainda pior pela presença de Lula no debate.

E aí vai se tentar, no Congresso, alguma saída para essa situação. Houve protestos, ontem, em várias capitais do Brasil em defesa da prisão após condenação em segunda instância. Foram protestos mais esvaziados do que os de outrora, mas mesmo assim mostraram o apoio de uma parcela significativa da sociedade ao cumprimento da pena mais rapidamente.

Vamos ver se o Congresso avança com isso. É algo difícil, não é tão simples de ser aprovados – os partidos que tem mais deputados e senadores são aqueles também com maior número de implicados em escândalos de corrupção, então nãos erá uma discussão simples e certamente nada será aprovado ainda neste ano”, avaliou Vera.