Constantino: Guedes lamentou postura da esquerda, mas não quer AI-5

  • Por Jovem Pan
  • 26/11/2019 09h13
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDOMinistro está frustado com pausa na agenda reformista

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta segunda-feira (25), que não é possível se assustar com a ideia de alguém pedir o AI-5 diante de uma possível radicalização dos protestos de rua no Brasil. A declaração foi dada durante um evento nos Estados Unidos.

“Sejam responsáveis, pratiquem a democracia. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo para quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente? Levando o povo para a rua para quebrar tudo. Isso é estúpido, é burro, não está à altura da nossa tradição democrática”, disse.

“Eu sei que muita gente está querendo interpretar que Guedes estaria defendendo essa possibilidade, mas eu acho que isso é muito injusto com ele. Acho que ele está em um clima de desabafo. Vamos trazer o contexto para a cena: ele está irritado porque as reformas – ele está preocupado apenas com essa pauta reformista – vão atrasar em parte por uma decisão política de Bolsonaro – que é compreensível, ainda que, na minha opinião, equivocada – por receio de, no Brasil, começar a acontecer o que está havendo em outros países da América Latina. Convulsão social.

A gente sabe que nessas manifestações baderneiras tem o dedo, sim, de uma esquerda radical que está orquestrando isso de forma intencional. O próprio editorial do Globo de ontem, que é um jornal com viés progressista, reconhece isso. Quer dizer, o dedo de Caracas, Cuba e Havana nesses protestos está evidente – os países estão reagindo, estão expulsando agentes venezuelanos e cubanos que estão incitando o caos. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, está falando em trazer para o Brasil isso que está acontecendo no Chile, assim como o ex-presidente Lula.

Então a fala de Guedes, na minha opinião, precisa ser entendida dentro desse contexto. O que ele está falando é que é irresponsável a esquerda fazer isso, não aceitar a perda nas urnas e, em dez meses de governo, querer transformar o país num caos, tomar as ruas com baderna, quebradeira e tudo mais – como temos visto no Chile – para impedir a vitória da agenda reformista do governo atual. Então é nesse contexto, ele está lamentando e falando ‘Você não fique espantado, com esse clima, com uma reação da outra parte da população’.

Então eu não acho que o ministro esteja defendendo o AI-5 – isso seria temerário. Acho que ele está, inclusive, falando e reforçando sobre a tradição democrática no país e condenando a postura da esquerda radical jurássica que não sabe perder e quer, realmente, incitar o caos”, avaliou Constantino.