Com a Copa avançando, e Pelé ausente de Moscou, abra as asas sobre nós

  • Por Jovem Pan
  • 06/07/2018 10h15
Youtube/reproduçãoAssisti ao documentário Pelé Eterno, no dia em que Pelé completou 70 anos

Assisti ao documentário Pelé Eterno, no dia em que Pelé completou 70 anos. Publiquei crônica na Veja sobre o assunto:

Espantosamente, a nação ainda confunde Edson Arantes do Nascimento com Pelé, e atribui equívocos eventualmente cometidos por sua camuflagem humana à entidade de tal modo misteriosa que a nenhum mortal será dado compreendê-la. Espantosamente, existem brasileiros incapazes de enxergar os abismos siderais que separam o mineiro agora setentão de um deus atemporal.

Em qualquer país, as filas de espectadores ansiosos pelas imagens de Pelé Eterno se teriam estendido por centenas de quilômetros, provocariam assombrosos engarrafamentos humanos ─ e ai de quem traísse algum indício de contrariedade, porque o mais dissimulado sinal de insatisfação haveria de configurar uma afronta intolerável aos milhões de súditos mobilizados para a reverência coletiva ao monarca do Reino do Futebol. Mas o Brasil não é um país qualquer.

Se o protagonista do filme deslumbrante fosse Maradona, por exemplo, as salas de cinema da Argentina estariam com lotação esgotada até 2050, pais em êxtase esperariam dias inteiros na fila carregando bebês de colo, avós presuntivos estariam disputando a socos e pontapés o ingresso para o neto que nem nasceu. Mas isto é o Brasil, insista-se. O país que transforma um Lula em campeão de popularidade não soube comover-se como exibia a esplêndida viagem pelas proezas do gênio que alcançou a perfeição absoluta.

Pelé foi acusado de demagogo por ter pedido atenção para as crianças na noite do milêsimo gol. Lula, um gigolô de adultos infantilizados pela esmola institucional, faz mil comícios por mês explorando impunemente a inconsciência das multidões estacionadas na primeira infância. O gênio irretocável é cobrado por miudezas. O gênio de araque reincide acintosamente em crimes graves e é tratado como inimputável. O Rei era ridicularizado quando cometia erros em inglês. O ignorante promovido a monarca assassina o português sob os aplausos dos áulicos”.

Acrescento apenas uma frase: com a Copa avançando para as semifinais e Deus do futebol ausente de Moscou, abra as asas sobre nós.

Confira o comentário completo de Augusto Nunes: