Deputado do PSL arranca cartaz sobre exposição contra o racismo na Câmara

Ainda nesta segunda-feira (19), o deputado Capitão Augusto (PL-SP) encaminhou um pedido para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pedindo a retirada do cartaz da exposição

  • Por Jovem Pan
  • 19/11/2019 19h35
Reprodução / Câmara dos DeputadosCoronel Tadeu (PSL-SP)

Uma exposição que trata do racismo no Brasil virou motivo de bate-boca na tarde desta terça-feira (19) na Câmara dos Deputados. O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) arrancou da parede da exposição uma imagem em que aparecia um policial empunhando uma arma e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado. No cartaz, lia-se a frase “O genocídio da população negra”.

O ato do deputado provocou reação imediata de parlamentares presentes na Casa. Houve bate-boca na saída da exposição e gritos de “racista” em direção a Tadeu.

“Ele não suportou uma exposição que registra a presença negra na história do Brasil nos diversos campos. E veio aqui e arrancou parte da exposição, onde havia a denúncia de um genocídio negro no Brasil”, afirmou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

“Ele arrancou tudo, destruiu tudo e cometeu o crime de racismo e quebra de decoro”, acrescentou. Jandira e outros parlamentares, como a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), prometeram levar o caso ao Conselho de Ética da Câmara.

Momentos antes de quebrar o painel, o parlamentar gravou um vídeo diante da charge e explicou que no saguão da Câmara dos Deputados acontecia uma exposição. Ao apontar para a ilustração, o parlamentar pergunta: “Isso quer dizer o quê? Que a polícia só mata preto?”

Em seguida, ele retira o cartaz da parede. “Isso aqui não vai ficar na parede, isso aqui é contra a polícia. A polícia ‘tá’ pra defender a sociedade. Um abraço pra vocês. Eu vou queimar esse cartaz aqui”, diz o deputado.

Desde o início do dia, a imagem arrancada por Tadeu vinha causando desconforto aos deputados da chamada “bancada da bala”. Mais cedo, o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) já havia encaminhado ao presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), um pedido para que o cartaz fosse retirado da exposição.

“Conforme se verifica do conteúdo da imagem, há a absurda atribuição da responsabilidade pelo genocídio da população negra aos policiais militares, prestando-se, assim, verdadeiro desserviço junto à população que trafega pelas dependências da Câmara, retratando negativamente o salutar papel dos policiais militares para a manutenção da ordem pública no nosso País”, disse Augusto em seu pedido a Maia. O deputado é presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública e da Comissão de Segurança Pública.

Após arrancar o cartaz, o coronel Tadeu voltou a criticou a imagem. “Colocar a PM como responsável pelo genocídio é inaceitável”, afirmou.

Veja o momento em que o deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) arranca o quadro da parede:

*Com informações do Estadão Conteúdo