Guimarães: ‘Caixa não tem como filtrar classe social de quem pede o auxílio’

Estudo indica que 3,89 milhões de famílias das classes A e B têm algum membro recebendo o benefício

  • Por Jovem Pan
  • 03/06/2020 19h54
Cris Faga/Estadão ConteúdoO total de pedidos em análise está em 11,1 milhões de pessoas

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse nesta quarta-feira (3) que o banco apenas executa a concessão do auxílio emergencial de R$ 600 e negou fraudes. Segundo ele, a identificação do perfil social de quem pede o benefício “não é papel da Caixa”.

Guimarães comentou estudo do Instituto Locomotiva publicada pelo jornal Valor Econômico, segundo o qual 3,89 milhões de famílias das classes A e B têm algum membro recebendo o auxílio, criado para atender pessoas em situação de vulnerabilidade durante a pandemia de coronavírus.

De acordo com o estudo, um terço das famílias das classes A e B solicitou o benefício nos últimos dois meses, e 69% dos pedidos procedentes da população de maior renda foram aprovados.

Pela legislação que criou o auxílio emergencial, a análise dos requerimentos cabe à Dataprev, estatal federal de tecnologia. A empresa vasculha 17 bases de dados e verifica se o autor do pedido se enquadra nos critérios para receber o auxílio.

Em tese, a legislação não proíbe pessoas das maiores faixas de renda de receber o benefício. Cidadãos das classes A e B podem ter acesso ao auxílio emergencial caso todos na família estejam trabalhando na informalidade e não tenham declarado Imposto de Renda no ano passado.

Segundo Guimarães, os casos de fraudes bancárias relacionados ao auxílio emergencial são muito baixos. “O nível de fraudes na Caixa envolvendo o auxílio emergencial é próximo de zero”, disse.

Análise

Conforme o balanço apresentado hoje, 107 milhões de brasileiros cadastraram-se para receberem o auxílio emergencial. Desse total, 59 milhões enquadraram-se nas regras e tiveram o benefício aprovado e 42,2 milhões foram considerados inelegíveis.

O total de pedidos em análise está em 11,1 milhões de pessoas. Desse total, 5,8 milhões de cadastros estão em primeira análise e 5,3 milhões em segunda ou terceira análise, quando o cadastro foi considerado inconsistente e a Caixa permitiu a contestação da resposta ou a correção de informações.

* Com informações da Agência Brasil